Trayectoria
Trabajos de Martha Goldin
Poemas de Martha Goldin
Narrativa M.Goldin
Traducciones

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al Inglés

Traducido

por

 

 

The WOMAN blinks under the sun of afternoon
in the eyes green a distant one
now this woman will recognize the street
the exact site where it used to hide
the loved things
this woman, I say, knows that it does not have to watch backwards
that it does not have to be offed-hook simply
like a cat by the dark cornice
_______________________of
eternal return

but to drop itself with its seven lives
as the leaves of this wild winter fall
of beginnings of century and poles of hunger
where this woman has hidden her dreams
as the used to hide
_______________________the loved things.

___

 

inclined
on the verge of falling
it is illuminated and it hoped
until rolling triumphant
in the eyelash

___

 

place in which I am
and I am not
this place
slightest of all
and most frightful
like a long love?
like a sparkle?
the place where those go away that we loved
or where they continue breathing the twings
until the time end?

___

 

on the River of the Silver they fall
as bodies fall?
the are bodies?
they are bodies that fall?
they will never drop?
the bodies?

 

Traducido

al Portugues

por Aline Rocha

O sol caía a pique e o asfalto ardia.

O olhar dela se deteve na baldosa floja , recorreu a cidade solitária onde os meninos jogavam bolinha de gude, os ramos das árvores, suas copas sedosas. Enjoada aspirou o ar que sua pele reconheceu. Minha rua, disse, e sorriu.

Liliana vem até mim, cheia de cachos. Temos nove anos e um montão de tarefas. Liliana e Maria Cristina Longobardi com os aventais brancos e com chicletes na boca.

Me olham com estranheza. Coloco minha mochila no ombro, quero dizer vou com vocês, mas elas me olham assombradas, pensam, não sei, que de repente cresci, que não sou quem sou, esta menina magra e tímida que ameaça um sorriso, enquanto as lágrimas caem, não deixam de cair, por que não me reconhecem minhas amigas?, seguem pulando corda, enquanto eu, desconcertada, volto à porta de minha casa, de costas, procuro a maçaneta, giro, e sigo voltando até o frescor insólito do saguão, o cheiro de jasmins me inunda, toda casa é um jasmim que me recebe, e com meus cinco anos me jogo nos braços de mamãe, vem minha menina, o que houve?, e quero contar, explicar tudo, mas sou esta bebê loira e rechonchuda de um ano, com dois dentinhos afiados, e sei apenas balbuciar. Mamãe me tira do berço e me aperta contra seu peito enquanto desço do avião em Ezeiza, de mãos dadas com meus dois filhos, nove anos depois do exílio. Olho a cidade.

O sol cai a pique e o asfalto arde.

 

 

o que busca nesta rua?
a última imagem?
o pequeno pedaço de sombra
que se foi desenroscando
entre objetos em desuso
e sons ásperos?
acaso uma antiga desordem
papéis,
cartas que nunca enviei
e viagens ao medo
na década de setenta?
ou o regresso
com a última palavra?

às vezes se delatam
às vezes é essa casa
que tudo contém
como se existisse só para hospedar ausências
fantasmas que deslizam
acendendo luzes
e abrindo portas
para que eu os reconheça
conviva com o maior dos mistérios
e sustente com amor
o que se nega a desaparecer

 

se dissolve entre as sombras
e o tempo se povoa de países
tristezas e nostalgias

de alguns lugares não se volta

ficam os pedaços vagando
restos ainda dispersos
voam no ar

como os sorrisos
os medos
as ausências

de alguns lugares não se volta



   
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